17 de out. de 2016

Uma versão ao amor

Toda forma de castigo deixa a desejar, perto do que está por vir
Toda forma de odiar é amar, perto do que está por vir
Toda forma de querer é querer pouco se comparado à um louco
Todo aperto é medíocre e egoísta.
- E então como um sopro forte ele se foi...
De toda forma de amor, a que cause dor

-Por favor! 

Ele partiu

E então o amor não foi o suficiente
Amor ficou no canto, escondido atrás dos egos
Jogado às traças, sem perna, sem braço, sem meio, sem fim
Deficiente!
E já não temos argumentos para ficar juntos
Não temos mais como jogar na cara do outro, nossos defeitos.
Se gritar ainda o fizesse ouvir
Se chorar fosse amnésico eu já não saberia quem é você
E como eu queria não saber...
Se os teus quadros não estivessem ainda pendurados
Se eu tivesse força para queimá-los
Como eu queria ter...
Destruímos um ao outro na brincadeira do fogo
Que agora queima
Que ninguém apaga

E ninguém sai vivo.

EU tive um TU


TU que me viu na multidão e não pensou que era um show
TU que me salvou de quem eu era
EU tive um TU que por um tempo me fez ver quem era TU.
TU que me mostrou o meu EU mais EU do mundo
TU que disse que nem tudo era desgraça
TU que aceitou meus defeitos e então se deu de cara com eles.
TU que viu que não era fácil e que nem tudo eram flores
TU que conheceu em mim um grau de horrores
TU que parou de me enxergar, passou a ver apenas um show.
TU que não me ouvia mais por causa do barulho
TU que não via mais em mim o corpo tão perfeito
TU que esqueceu e disse; não tem mais jeito!
TU que plantou amor no peito e arranco no susto desde a raiz
TU que hoje guarda mágoa e diz; vamos sair sem compromisso
TU que esqueceu que eu também lhe vi na multidão, insana multidão de julgamentos.
TU que foi embora, no momento mais difícil; alegando ser preciso.
TU que se esqueceu de quem um dia fui EU
TU que vê em mim loucura, suicídio e inquietude
TU, que não se conjuga...
EU, tive um TU.