21 de mai. de 2015

ágape

Sou o que você procura
Sou o dia da morte, do medo e desespero
Sou fim da linha
Sou linha de trem sem trilho
Sou a perda do chão
Sou momento, sou reflexão
Sou necessidade sem precisão
Sou o hoje incondicional sem certeza do amanhã
Sou óculos de raio x
Sou infinito enquanto dure
Sou teu medo e teu receio
Sou facínora da realidade
Sou até onde você puder gritar
Sou depois da morte
Sou forte
Sou louco e livre
Sou cura e loucura
Sou calma e tesão
Sou alma solene
Sou ágape sou hoje

Suspiro malfeitor

Quero ser arte
Quero sentimento
Quero ser o último suspiro malfeitor
Quero possuir um corpo
Quero ver suas costas largas em um papel
Quero mentir que está tudo bem
Quero corroer uma última taça de vinho
Quero não ser ninguém
Quero não ser amado
Quero ser só
Quero glorificar o bendito sentimento: solidão
Quero sozinho ter um álibi
Quero ser o não merecedor do amor
Quero guardar todo esse amor e me sufocar com cada gota
Quero desejar de longe
Quero ver antes e não ficar para o final
Quero ser artista de uma vida vivida

19 de mai. de 2015

Sexo sentido

O baile começou
Sua boca me convida
Eu como tal dama não ouso recusar
Sua mão na minha cintura...
A dança vai começar!
A gente balança, sua mão desce
Eu respiro ofegante, você consola minha solidão
E agora um de nós enlouquece...
Teu cabelo me excita num movimento moroso
Tua timidez procura o pior em mim
O salão ficou pequeno e vazio
Eu já não vejo mais ninguém
Eu só ouço teu pensamento
Que se tornou um grande quimera
Amor de um segundo, chamado amor de rua
Um toque de dinamite
Um só toque para que me parta em mil e um pedaços
Eu penso em um quarto vermelho
Você só enxerga o beco
Mas nem um de nós tem saída
Não sabe se vai ou se fica
O momento é longo e dramático, não parece ser vivido, parece ser sonhado
O baile acabou, nem quarto, nem beco
A música parou, e então tudo não passou de um sonho.